Antes do desfralde, alguns sinais sutis de maturidade costumam aparecer como compreender comandos simples e demonstrar mais autonomia nas atividades do dia a dia

O desfralde é uma das etapas mais importantes do desenvolvimento infantil e, para muitas famílias, também uma das mais desafiadoras. Embora a ansiedade para retirar as fraldas seja comum, especialistas alertam que respeitar o tempo da criança é fundamental para que o processo aconteça de forma saudável e sem traumas.
De acordo com a pediatra do Instituto Curitiba de Saúde – ICS, Amanda Bencke, a maioria das crianças inicia o desfralde entre os 2 e 3 anos de idade, mas não existe uma regra fixa. “Cada criança possui seu próprio ritmo de amadurecimento. Quando o desfralde é iniciado antes do momento adequado, podem surgir frustrações, resistência e até regressões no processo”, explica.
Antes mesmo de a criança conseguir controlar o xixi ou o cocô, alguns sinais sutis de maturidade costumam aparecer. Entre eles, estão a capacidade de andar e sentar sozinha, compreender comandos simples e demonstrar mais autonomia nas atividades do dia a dia. Segundo a pediatra, esses comportamentos são importantes pré-requisitos para iniciar o processo.
Outros sinais também ajudam os pais e responsáveis a identificarem a prontidão da criança. É comum que ela interrompa uma brincadeira para fazer xixi ou cocô, demonstre incômodo com a fralda suja ou até procure se esconder para evacuar. “Esses comportamentos mostram que a criança começa a desenvolver consciência corporal, o que é um passo importante para o desfralde”, destaca Amanda.
Com o avanço desse desenvolvimento, surgem sinais mais claros, como permanecer com a fralda seca por períodos maiores, avisar logo após fazer xixi ou cocô e demonstrar desconforto com a fralda molhada. Em estágios mais avançados, a criança já consegue avisar antes de fazer as necessidades, abaixar a própria roupa e aceitar sentar no penico ou no vaso sanitário.
Além dos aspectos físicos e comportamentais, a pediatra ressalta que o interesse da própria criança também deve ser considerado. “A curiosidade sobre o banheiro, a vontade de imitar adultos ou irmãos e a aceitação em sentar no penico são sinais muito importantes. Quando a criança participa do processo de forma espontânea, o desfralde tende a acontecer de maneira mais tranquila”, afirma.
Dicas para iniciar o desfralde
A pediatra Amanda Bencke orienta que o processo aconteça de forma gradual e respeitosa. Algumas medidas podem ajudar nesse momento:
– apresentar o penico ou o redutor de vaso sanitário de forma natural;
– oferecer idas ao banheiro em horários previsíveis;
– elogiar as tentativas e avanços da criança;
– evitar punições, broncas ou pressão durante o processo;
– respeitar o tempo e os limites de cada criança.
A especialista também alerta para erros comuns, como iniciar o desfralde muito cedo, comparar a criança com irmãos ou colegas e retirar a fralda de forma abrupta, sem preparação prévia.
Com paciência, acolhimento e incentivo, o desfralde pode se tornar uma fase mais leve tanto para as crianças quanto para as famílias, fortalecendo a autonomia infantil de forma respeitosa e segura.
