Especialista explicou que excesso de tela não causa TEA, mas pode ocasionar mesmos sintomas que prejudicam o diagnóstico

Drª Fernanda Fredo é neuropediatra. Foto: ICS/Divulgação

Passar horas em frente à televisão e ter superexposição a celulares ou tablets podem causar intensa alteração de comportamento em crianças. Esses indicativos acontecem em crianças no geral, e também com aquelas que têm diagnóstico de autismo (Transtorno do Espectro Autista – TEA).

O impacto das telas foi tema de um encontro que ocorreu no auditório Jaime Lerner, na manhã de quarta-feira (2) – Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo – e contou com a presença da Diretora de Assistência à Saúde, Drª Gislaine Strapasson Blum, e da Diretora-presidente, Drª Marina Bueno. Participaram da palestra pais, cuidadores, beneficiários e colaboradores do Instituto Curitiba de Saúde – ICS.

Especialista no assunto, a neuropediatra do ICS, Fernanda Fredo, fez alertas sobre o excesso de telas e afirmou ser prejudicial para todas as crianças. “Essa superexposição às telas causa alterações no sono, na atenção e no aprendizado, problemas visuais, dificuldade de socialização, entre outros, afetando diretamente o comportamento delas tendo baixa tolerância à frustração, atraso na fala e até mesmo super foco em personagens ou situações que ela vê na tela”, descreveu.

Tela causa TEA?

A médica explicou ainda que o excesso de tela não causa o transtorno e que o termo ‘autismo virtual’ é mito. O que há, de fato, é um conjunto de sintomas que prejudicam o diagnóstico.

 “O autismo não é causado pela tela. Mas esse excesso provoca comportamentos que podem nos confundir em relação ao autismo e exacerbar os sintomas nas crianças que têm o diagnóstico do transtorno espectroautista (TEA). Ou seja, a exposição excessiva a telas, sem a participação e mediação de um adulto, sem a devida supervisão, pode criar sintomas e confundir em relação ao autismo. A criança passa a interagir menos, não consegue ter um brincar simbólico estabelecido. Isso tudo é ocasionado pelo estímulo que a tela dá”, detalhou a especialista.

Telas foi o tela do encontro desse ano. Foto: ICS/Divulgação

Tempo

Mas, afinal, há um tempo seguro de exposição à televisão e/ou dispositivos eletrônicos? Até os dois anos de idade, a recomendação é zero tela, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

“Dos dois até os cinco anos, o máximo é de uma hora de tela por dia, e a partir dos cinco anos até duas horas de tela por dia. Lembrando que a definição de tela não é apenas o celular, mas o tablet, a televisão, todos esses dispositivos eletrônicos”, disse a doutora.

Para ela, o acesso à tela pode estar relacionado à necessidade real. “A família está em uma viagem de longa duração, está passando por um processo de internamento, ou seja, há situações em que o uso de telas pode ocorrer de maneira assistida. Mas isso não pode virar rotina”, esclareceu a neuropediatra.

Por onde começar?

Caso os pais ou cuidadores precisem intervir para diminuir o tempo de tela, o primeiro passo é oferecer alternativas.

“Busque oferecer algo para que ela faça. Você não precisa ficar o tempo inteiro no chão brincando, mas precisa proporcionar esse momento. O próprio tédio da criança vai fazer com que ela busque um brincar, que ela arrume alguma coisa para fazer e exercite a criatividade. É preciso oferecer um tempo para a criança, sem estímulo externo, deixar a criança usar a imaginação, isso sim é fantástico”, defendeu Fernanda.

Segundo a especialista, o ato de brincar é muito importante para a criança, já que será um dos principais mecanismos para desenvolver criatividade, troca com outras pessoas, interação social, imaginação, capacidade de resolver problemas, tolerância, frustração. “A brincadeira é um dos principais estímulos, se não é principal, que a gente pode ter com o nosso filho durante a infância”, finaliza a neuropediatra.

Conscientização sobre autismo: Excesso de tela causa alteração de comportamento em crianças
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